Laboratório da Paisagem
Info

Localização: Guimarães, Portugal
Data: 2010-2012
Prémios: 1º Lugar Concurso para a Elaboração do Projecto do Laboratório da Paisagem em Guimarães, atribuído pelo Júri do Concurso

Cliente: Câmara Municipal de Guimarães

Área de implantação 989 m2
Área de construção 1.387 m2
Custo de construção 1.108.000,00€

Autores
Fátima Fernandes e Michele Cannatà

Equipa
Riccardo Cannatà
Dario Cannatà
Bruno Silva
Marta Lemos
Nuno Castro
Francisco Meireles
João Pedro Martins

Fundações e Estruturas
Gop – João Maria Sobreira

Rede de Água e Esgotos
Gop – Raquel Fernandes

Instalações e Equipamentos Mecânicos
Get – Raul Bessa

Instalações Eléctricas
Gpic – Alexandre Martins

Acustica
Inacoustics – Octávio Inácio

Paisagismo
Atelier Beco da Belavista – Luís Guedes de Carvalho

Créditos Fotográficos
Luis Ferreira Alves
Dario Cannatà

Sinalética
Dario Cannatà

Construtor
COMBITUR – Construções Imobiliárias e Turísticas, S.A.

Texto

O edifício localiza-se, na Veiga de Creixomil no território de Guimarães numa área sensível de elevado interesse paisagístico, classificada, de acordo com o Plano Director Municipal de Guimarães, como reserva ecológica nacional (REN), a sudoeste do centro histórico da cidade de Guimarães.
A morfologia do terreno é caracterizada por uma relativa diferença de cotas, pela presença de um canal de água, percursos em terra batida, grande visibilidade das áreas circundantes e grande proximidade de maciços vegetais.
A visibilidade que o edifício tem desde a auto-estrada pressupôs o desenvolvimento de um conjunto de intervenções, que garantissem que este seja um elemento que se distingue no território.
O acesso ao Laboratório, a Nascente, criado pela demolição dos cobertos que foram ocupando a passagem localizada entre a antiga fábrica e o terreno vizinho e da libertação do edifício pela criação da praça de recepção e parque de estacionamento, conduz o visitante/utente, através de uma promenade à entrada do equipamento em contacto com o momento mais impressionante do edifício: a fachada sobre a Ribeira de Selho.
No interior o objectivo principal foi valorizar o carácter espacial da tipologia fabril. Um espaço aberto, luminoso, preparado para receber os novos usos e exigências do programa funcional, através de uma simples mas rigorosa reabilitação.
A divisão dos diferentes módulos funcionais segue a estrutura das águas das coberturas no sentido de estabelecer o equilíbrio dos diferentes espaços com a estrutura da preexistência e sobretudo com o seu carácter.
No topo Nascente está localizada a zona técnica necessária para a caldeira, depósitos de águas e bombas.
Na zona do lado Poente foram reordenados e reconstruídos os volumes do piso superior que se encontravam em estado de ruína ou sem qualidade construtiva e arquitectónica.
A proposta apresentada pretende recuperar o carácter arquitectónico do edifício preexistente e ao mesmo tempo, com a nova cobertura, e com as reconstruções volumétricas afirmar a incontestável contemporaneidade de um edifício reabilitado.
O conceito da intervenção passou por destacar a clara e rigorosa identificação dos diferentes tempos de intervenção de forma a não produzir ambiguidades ou a distorção na leitura da histórica do edifício. Assim os elementos em alvenaria de pedra foram recuperados, repostos e limpos, os volumes existentes em tijolo, ou outros materiais em avançado estado de degradação assim como os volumes novos foram executados em betão branco aparente. Materiais diferentes para permitir uma leitura das modificações no tempo e no uso.